Páscoa com flores e Chocolate

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Uma breve história sobre o chocolate – a delícia da Páscoa e de todos os momentos
Alguns estudos registram que a partir de 1500 A.C. a civilização Olmeca foi a primeira a aproveitar o fruto do cacaueiro.Eles habitavam as terras baixas do Golfo do México.
Posteriormente, evidências arqueológicas comprovam que os Maias, Toltecas, e Aztecas também utilizavam o cacau, e consideravam-no o alimento dos Deuses.
No México os Astecas cultuavam o deus Quartzacoatl , e foi esse deus que entre outras coisas lhes trouxe as sementes de cacau
Eles festejavam as colheitas com rituais e sacrifícios com oferendas ao deus Quartzacoatl.,e o chocolate era muito usado nos rituais religiosos .

Um dia, Quetzalcoatl ficou velho e decidiu abandonar os astecas. Partiu em uma jangada de serpentes para o seu lugar de origem – a Terra do Ouro. Antes de partir, porém, ele prometeu voltar no ano de “um cunho”, que ocorria uma vez a cada ciclo de 52 anos no calendário que ele mesmo criara para os astecas.
Em 1519, o explorador espanhol Fernão Cortez e seus soldados desembarcaram no México, pretendendo conquistá-lo. Fizeram os preparativos para o combate, mas, para surpresa destes, o imperador asteca Montezuma e seus súditos os receberam com cordialidade.

Vítimas de sua própria lenda, eles acreditaram que Cortez era a reencarnação do bondoso deus Quetzalcoatl. , pois 1519 coincidia com o ano de “um cunho”, no calendário asteca – o ano que Quetzalcoatl prometera voltar.

O povo alegre festejou e o imperador acolheu Cortez com um grande banquete regado com taças de ouro cheias de “tchocolath”. Mas a desilusão não tardou a chegar: o suposto Quetzalcoatl, aquele que havia dado o chocolate a seu povo, parecia não o ter bebido antes e nem mesmo gostar dele. É óbvio, o “tchocolath” não era a bebida agradável de hoje. Era bastante amarga e apimentada. As tribos da América Central geralmente o preparavam misturando com vinho ou com um purê de milho fermentado, adicionado com especiarias, pimentão e pimenta.

Naquela época, o chocolate era reservado apenas aos governantes e soldados, pois acreditava-se que, além de possuir poderes afrodisíacos, ele dava força e vigor àqueles que o bebiam.

Cortez, sem dúvida, ficou muito impressionado com a mística que envolvia o chocolate e mais ainda com o seu uso corrente.
Um ano depois, Cortez responde com traição a acolhida que recebera do povo asteca. Prende o imperador Montezuma atrás das grades e invade suas terras. Tanto Montezuma quanto seu sucessor são assassinados pelas tropas de Cortez e o México passa a ser colônia espanhola, permanecendo nesta situação por trezentos anos.
Cortez observou que aquele povo tratava as amêndoas de cacau como um tesouro inestimável, o que aumentou ainda mais sua admiração pela nova descoberta. Cortez levou o cacau para a Espanha,onde a princípio não era apreciado, pois o espanhóis a achavam uma bebida fria, gordurosa e amarga.
Porém logo perceberam o valor da semente como referencial de valor e moeda de troca. Em nome da coroa Espanhola começaram a plantar cacau no México onde a ” moeda” seria cultivada. Considerados importantes comerciantes na América Central, eles aumentaram mais ainda suas riquezas com as colheitas de cacau. Acontece que em toda aquela região a importância do cacau não residia apenas no fato de que dele se obtinha uma bebida fria e espumante, chamada “tchocolath”. O valor do cacau também estava em suas sementes. Elas eram usadas como moeda. Até então, o cacau e seu precioso produto, o chocolate, só circulavam pelos rituais, banquetes e o comércio na América Central
Rapidamente, o chocolate se espalha entre a família real e os nobres da corte espanhola. Cortez levara para a Espanha todo o conhecimento daquelas tribos primitivas de como lidar com o cacau e preparar o chocolate. Cortez sabia todas as técnicas de como preparar o cacau para chegar à bebida.
Os espanhóis passaram a tomar o líquido quente e adoçado, e cada vez mais a cair no gosto da elite espanhola. Também nesta época o cacau começou a ser feito em tabletes, que depois eram mais facilmente transformados em bebida.
Na Espanha, as cozinhas dos mosteiros serviam como local de experiência para o aprimoramento do chocolate e a criação de novas receitas. Os monges aperfeiçoaram o sistema de torrefação e a moenda do chocolate, transformando-o em barras e tabletes para serem dissolvidos em água quente, como era apreciado nos salões aristocráticos.

O casamento, em 25 de outubro de 1615, do rei Luís XIII, da França, com a infanta da Espanha, Ana da Áustria, sela a conquista do chocolate na França. A pequena rainha, de apenas 14 anos, adorava chocolate e trouxera da Espanha tudo o que era necessário à sua preparação.

E os cortesãos, para ganhar a sua simpatia, adotaram a sua bebida preferida. Ela passou a fazer parte da corte. Tanto é verdade que um dos convites mais requisitados em Paris era “para o chocolate de Sua Alteza Real”.

Já em 1657, surge em Londres a primeira loja de chocolate. Em 1660, o filho de Ana da Áustria, Luís XIV, que subira ao trono, casa-se com outra princesa espanhola, Maria Teresa. Esta segunda união ibérica acaba firmando de vez o domínio de chocolate na França. A corte comentava que Maria Teresa, uma esposa devotada, tinha duas paixões: o rei e o chocolate.

Enquanto a monarquia solidificava o hábito de consumir chocolate na França, outros países também começavam a se interessar por ele e a procurar pela sua própria fonte de suprimento. O governo espanhol mantivera o comércio de chocolate fechado até o século XVI. E, para sustentar o seu monopólio, estabelecera taxas pesadas de importação, de forma que ele permanecesse ainda durante muito tempo uma bebida apenas das classes privilegiadas. Como se não bastasse, os estoques de sementes de cacau da Espanha eram limitados.
Em meados do século XVII, a bebida de chocolate ganhou fama e popularidade na França, pois, em 1615, a Rainha francesa Anne, esposa de Luiz XIII, declarou o chocolate como “A bebida da corte francesa”. Tais acontecimentos levaram um francês a abrir a primeira loja do ramo em Londres e já no século XVIII as casas de chocolate eram tão famosas quanto as cafeterias.
Em 1795 os ingleses começaram a usar uma máquina a vapor para esmagar os grãos de cacau, a este invento deu início à fabricação de chocolate em maior escala.
Em 1828, Conrad Van Houten, um químico holandês inventou uma prensa de cacau que permitiu separar e retirar a manteiga de cacau da amêndoa, reduzindo assim o amargor e a acidez do chocolate. Em 1876, Daniel Peter, um doceiro suíço, tentou adicionar leite ao chocolate, porém nunca chegava a um resultado satisfatório. Somente após oito anos de tentativas, levou seu produto até Henry Nestlé, um fabricante de leite evaporado.
Nesta época, Nestlé havia aprimorado sua receita de leite condensado. Ele e Peter tiveram a idéia de adicionar leite condensado ao chocolate. Nasceu assim o chocolate ao leite. Peter também foi responsável pela criação do processo de conchagem, o qual confere ao chocolate uma textura mais fina e aveludada. O processo recebeu tal nome, pois as pás que mexiam e refinavam o produto possuíam formato de conchas. Foi então que, em 1879, Rodolphe Lindt pensou em adicionar a manteiga de cacau de volta ao chocolate, o que gerou um produto mais elaborado, que derretia na boca e que era igual ao chocolate que conhecemos atualmente.

Ele estava sendo aprimorado. Cada vez ficava melhor: mais macio, saboroso e cheio de ingredientes. A fabricação de chocolate, que começara em pequenas oficinas com simples equipamentos, se tornara um negócios de corporações e filiais internacionais. A industrialização exigia urgente expansão das lavouras de cacau.
Em 1914 estoura a Primeira Guerra Mundial, determinando o fim da expansão das indústrias chocolateiras. São feitas restrições às exportações do produto. Tabletes de chocolate passam a fazer parte da ração de emergência dos soldados americanos em serviço, mas a experiência não dá muito resultado.

Para cumprir o papel de ração de emergência, o chocolate era demasiado irresistível para ser guardado sem ser comido. Afinal, ele fora aprimorado para se tornar o mais saboroso possível. Os soldados raramente guardavam seus tabletes para uma crise futura. Eles os devoravam rapidamente ao menor sinal de fome.

Mas, em 1934, o capitão Paul P. Logan inventa uma fórmula de ração à base de chocolate, muito energética e, o mais importante: pouco atrativa ao paladar. Era uma mistura de chocolate, açúcar, leite em pó desnatado, manteiga de cacau, vanilina, aveia e vitamina B1. Em 1938, ela é batizada de “Ração D”. No ano seguinte eclode a Segunda Guerra Mundial.

A Companhia Hershey, importante fabricante nos EUA, recebe uma tarefa especial no exército americano: desenvolver uma nova ração de chocolate que sustentasse os soldados no caso de falta total de alimentos, e que pudesse ser carregada em seus bolsos, sem derreter.

De fato, a indústria Hershey alcança o intento: produz um tablete resistente, que além de chocolate possuía outros ingredientes nutritivos, possibilitando uma dieta substanciosa de cerca de 600 calorias, tornando-se a nova “Ração D”.

Enquanto durou a guerra, a Hershey produziu meio milhão de tabletes por dia.
O chocolate circulava por todas as partes: nas frentes de batalha e dentro dos lares. Talvez ele não fosse mais considerado como um alimento universal e afrodisíaco, como na época dos astecas, mas era recomendado como um fortificante incomparável na reposição de energia.

Em 1945, finda a guerra e com ela as barreiras ao desenvolvimento das indústrias chocolateiras. Os fabricantes, libertos dos racionamentos impostos pela guerra e das restrições feitas às exportações, aumentam suas produções. Em breve, o chocolate se tornaria um dos produtos mais populares em todo o mundo.

O CACAU CHEGA AO BRASIL
Alguns estudiosos admitem que 1665 foi o ano da primeira tentativa de implantar a cultura cacaueira na Bahia. O correto, no entanto, é 1746. Neste ano, o colono francês Louis Frederic Warneaux trouxe sementes do Pará e as plantou na fazenda Cubículo, à margem direita do rio Pardo, na capitania de São Jorge de Ilhéus, hoje município de Canasvieiras.

As condições climáticas, a topografia e o solo baiano eram propícios à cultura do cacau, por esta razão, a região de Ilhéus acabou se tornando uma poderosa produtora.

A lavoura cacaueira começa a se expandir na Bahia. Essa expansão, porém, se processa através de lutas violentas, que se prolongam até as primeiras décadas do século XX. Os latifúndios são invadidos e há muitas aquisições ilícitas de terras. As oligarquias desaparecem e os latifúndios, por motivo de herança ou econômicos, se dividem em fazendas organizadas a partir da revolução de 1930.

Em 1931, um marco no desenvolvimento da cultura: cria-se o Instituto de Cacau da Bahia.
A partir de 1954 instalam-se no Estado de São Paulo as primeiras plantações. O Instituto Agronômico do Estado, em Campinas, mantém fazendas experimentais com produções de até 6 kg de sementes por planta. Amapá, Amazonas, Pará, Maranhão, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Rondônia e Mato Grosso são os estados brasileiros que produzem cacau. Hoje, o Brasil ocupa a posição de sexto maior produtor mundial de cacau.

TIPOS DE CHOCOLATE

Existem hoje, basicamente, os seguintes tipos de chocolate:

AO LEITE – É composto por massa de cacau, manteiga de cacau, açúcar e leite em pó (568Kcal/100g)

AMARGO – Chocolate muito pouco refinado, composto apenas por massa de cacau e manteiga de cacau. Caracteriza-se pela cor escura e paladar amargo

MEIO-AMARGO – Também apresenta coloração escura por não levar leite, mas contém açúcar, o que suaviza o sabor (550Kcal/100g)

BRANCO – Feito com manteiga de cacau, açúcar e leite (549Kcal/100g)

ALVO – É mais claro que o branco convencional, pois passa por uma técnica de branqueamento extra que trata a manteiga de cacau

COLORIDO – É composto por manteiga de cacau, açúcar, leite e corantes especiais importados

DIET LEITE – É composto por massa e manteiga de cacau, leite em pó, sorbitol e sacarina (usados em substituição do açúcar) e vanilina (473Kcal/100g)

DIET BRANCO- Feito com manteiga de cacau, leite em pó, sorbitol, sacarina e vanilina.

CHOCOLATE EM PÓ – amêndoa de cacau ralada destituída da manteiga de cacau. Pode ser amargo, e aí possui o nome de cacau em pó, meio amargo e doce (não confundir com chocolate solúvel para misturar no leite)

CHOCOLATE PARA COBERTURA – Com alto índice de manteiga de cacau, que lhe dá a propriedade de derreter com facilidade e que facilita o acabamento e o brilho nas coberturas. São comercializados em três tipos: meio amargo, branco e comum (leite) (567Kcal/100g)

Nota importante: Os chocolates dietéticos não contêm açúcar, mas contêm gorduras em grande quantidade e adoçantes como o sorbitol que é altamente calórico. Portanto, os chocolates dietéticos não são indicados em dietas para emagrecimento.

Flores e Chocolates – Confira aqui

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